domingo, 18 de novembro de 2012

Tarde demais

Uma palavra que não disse
Uma atitude que não tive
Tarde demais
Não há como voltar atrás

Um sorriso que não saiu
Um abraço que não dei
Tarde demais
Não há como voltar atrás

Se pudesse voltar no tempo
Fazer algo diferente
Um sorriso, um abraço
E o amor ficaria para sempre.


sábado, 20 de outubro de 2012

Alguém

Alguém para me escutar
Alguém para me entender
Alguém para me ajudar
Onde posso encontrar?
Onde posso me esconder?
Me abrigar da tempestade
Encontrar um pedaço de felicidade...
Viver sem medo do amanhã
Sem precisar fugir
Sem precisar sofrer
Onde está um lugar seguro?
Alguém em que possa confiar?
Sair da escuridão
Encontrar alguém na imensidão
Me mostrando um caminho
Uma direção
Que não leva dor
Que não há rancor
Que não haja magoa
Onde exista AMOR.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Vida

A vida é mesmo assim
dia e noite não tem fim
Sempre vai ter alguém
que te quer ver sofrer

Sempre há injustiça
A vitória nunca vem completa
é apenas momentânea
e a paz instantânea.

domingo, 22 de julho de 2012

Desencanto

Nada é como sonhei um dia
tudo que se queria
não aconteceu

Queria ver o amor renascer
ao entardecer
numa brisa, numa flor
mas tudo que resta agora é ódio e rancor

Queria ver a alegria pela manhã
e que nas noites frias
haveria alguém, uma companhia
para me aquecer

Nada é como sonhei um dia
o príncipe encantado
se desencantou
e a magia do amor
se transformou em dor.


sábado, 2 de junho de 2012

Um Minuto

A vida é feita de momentos
que não demoram passar
E se viver só de lamentos
A vida vai se desgastar


Num dia tudo está feliz
no outro dia aparece a tristeza
Vivendo como um eterno aprendiz
Buscando encontrar da vida sua beleza


Esquecer toda dor, apagar a cicatriz
Poder sentir da vida sua delicadeza
ter paz e viver com leveza
Sentindo o perfume da flor e a sua pureza


Um minuto não demora acabar
um minuto pode uma vida mudar
Um minuto e nada mais restará
um minuto pra um caminho transformar


E o que restará da vida é saber
onde a felicidade foi morar
E o que restará da vida é querer
que a tristeza possa um dia acabar.




domingo, 15 de abril de 2012

A órfã na costura

Minha mãe era bonita,
Era toda a minha dita,
Era todo o meu amor.
Seu cabelo era tão louro,
Que nem uma fita de ouro
Tinha tamanho esplendor.
Suas madeixas lúcidas
Lhe caíam tão compridas,
Que vinham-lhe os pés beijar.
Quando ouvia as minhas queixas,
Em suas áureas madeixas
Ela vinha me embrulhar.
Também quando toda fria
A minha alma estremecia,
Quando ausente estava o sol,
Os seus cabelos compridos,
Como fios aquecidos,
Serviam-me de lençol.
Minha mãe era bonita,
Era toda a minha dita,
Era todo o meu amor.
Seus olhos eram suaves,
Como o gorjeio das aves
Sobre a choça do pastor.
Minha mãe era mui bela,
— Eu me lembro tanto dela,
De tudo quanto era seu!
Tenho em meu peito guardadas
Suas palavras sagradas
Co'os risos que ela me deu.
Os meus passos vacilantes
Foram por largos instantes,
Ensinados pêlos seus.
Os meus lábios mudos, quedos
Abertos pêlos seus dedos,
Pronunciaram-me: — Deus!
Mais tarde — quando acordava
Quando a aurora despontava,
Erguia-me sua mão.
Falando pela voz dela,
Eu repetia singela
Uma formosa oração.
Minha mãe era mui bela,
— Eu me lembro tanto dela,
De tudo quanto era seu!
Minha mãe era bonita,
Era toda a minha dita,
Era tudo e tudo meu.
Estes pontos que eu imprimo,
Estas quadrinhas que eu rimo,
Foi ela que me ensinou.
As vozes que eu pronuncio,
Os cantos que eu balbucio,
Foi ela quem mos formou.
Minha mãe'. — diz-me esta vida,
Diz-me também esta lida,
Este retroz, esta lã.
Minha mãe! — diz-me este canto,
Minha mãel — diz-me este pranto,
— Tudo me diz: — minha mãe! —
Minha mãe era mui bela,
— Eu me lembro tanto dela,
De tudo quanto era seu!
Minha mãe era bonita,
Era toda a minha dita,
Era tudo e tudo meu

Junqueira Freire





Meus oito anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu